sexta-feira, 24 de outubro de 2008

QUINTÃO(Tom Cavalcanti)

O vídeo abraixo, além de cômico, leva a refletir até que ponto os candidatos podem ir para conquistar a opinião pública. As campanhas para eleição em Belo Horizonte viraram uma baixaria, uma palhaçada! De um lado, o discurso alienado de Leonardo Quintão e suas encenações patéticas que fazem de suas propagandas políticas um verdadeiro circo, do outro, a arrogância de Marcio Lacerda e seus “apoiadores”. Vale a pena lembrar que Tom Cavalcanti, o nosso “voluntário” do vídeo, é da terrinha de Ciro Gomes, e advinha quem trabalhou com Ciro Gomes? Adivinhou né?! É isso aí, hoje em dia os candidatos apelam para os artifícios que contribuem para a formação da opinião pública e não suas propostas de governo.





sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O papel social dos veículos de comunicação

Ultimamente não ando muito a fim de assistir jornal. A gente liga a televisão e só o que se fala é o tal seqüestro da garota de Santo André-SP. Lembro-me do caso Isabella Nardoni. É incrível como este crime atraiu os olhos da sociedade através da mídia. Aliás não só atraiu e informou como manipulou também. Foi o caso da entrevista ao pai e à madrasta da menina transmitida pela Rede Globo, assim também como a da participação do avô paterno de Isabella no programa da Luciana Gimenez etc. Além de resultar num ibope astronômico, estes quadros também começaram a dividir opiniões na época. Este controle social por meio dos veículos de comunicação é inevitável. Existe uma credibilidade na mídia que é indiscutível, basta reparar num campo de futebol em dia de jogo, a pessoa fica ali com o radinho colado no ouvido para escutar a narração da partida, mesmo vendo tudo ali acontecendo ao vivo e a cores no gramado.

Quando assisti ao filme “Mera Coincidência” do diretor Barry Levinson, vi um exemplo claro de como os meios de comunicação têm o poder de exercer controle social que, no caso do filme, ocorre graças às idéias ousadas do relações públicas do governo norte-americano, interpretado por Robert de Niro. Mera Coincidência é uma comédia, mas deixa uma impressão que consiste segundo Fabio Bense, numa “crítica corrosiva o processo de manipulação da opinião pública pelas imagens exibidas pela televisão”. Vi este filme logo quando entrei na faculdade. Na época, senti um misto de admiração e desprezo pela mídia. Isso porque é inevitável não sentir nojo ao ver pessoas sendo manipuladas por aquilo que assistem na TV, mas ao mesmo tempo é impossível não ficar boquiaberta ao perceber a tamanha proporção de ações geradas a partir da comunicação. Mas entre essa relação de amor e ódio existe uma diferença latente: cultura e informação.

Assim como a TV, diversos veículos de comunicação vêm cumprindo a sua função social de informar e formar opinião. Com a emergência de novas mídias e canais de comunicação, as pessoas hoje opinam, indagam e criticam mais, a partir de novas percepções que elas obtêm após a leitura de determinadas mensagens. Hoje mesmo, estava lendo sobre a repercussão a respeito de um texto que um colunista da revista Trip publicou no site em setembro. O autor, Henrique Goldman, publica um texto citando a relação sexual que teve aos 14 anos com a empregada da família “contra a vontade dela”. Quero deixar bem claro que não li o texto tão polêmico que Goldman escreveu. Portanto, não quero deixar minhas impressões a respeito de algo cujo o conteúdo desconheço e que não desperta minha curiosidade nem um pouco, apesar de que está para nascer alguém que me convença que o ato de estuprar é diferente de ter relação sexual com alguém sem que este permita. Mas isso não vem ao caso. O que realmente me chamou atenção foi a manifestação dos leitores. Torno a dizer que não me importa o conteúdo, mas sim, a função social que os veículos de comunicação exercem para que as pessoas expressem sua opinião.

O site da revista foi bombardeado por mensagens de leitores indignados com tal publicação. A revista, por sua vez, demorou dias para se defender, mas publicou um esclarecimento de que se tratava de uma ficção. O bom disso tudo é que a sociedade não se cala mais diante de fatos como este, nem mesmo com o álibi da liberdade de expressão, e põe a “boca no trombone” usando o mesmo veículo utilizado por quem escreveu a mensagem.

Concordo plenamente com o Dr. Muniz Sodré, quando ele diz para a gente deixar a baixaria ser baixaria, o que é preciso mesmo é investir na EDUCAÇÃO, caso contrário o povo sempre calará a sua voz.


Bom final de semana!!!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"RP faz o quê?"


O vídeo abaixo é tudo de bom! Estudantes de RP da UNISO criaram este vídeo que explica a profissão de Relações Públicas de uma forma clara, objetiva e bem humorada. Vale a pena assistir.



21 de Outubro: Dia nacional contra baixaria na TV

terça-feira, 14 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

“Divisão de bens”


Aconteceu no Camboja. Um casal em litígio resolveu dividir a casa que em que habitava ao meio. De acordo com o portal UOL, onde a foto da casa foi publicada, essa iniciativa teve o objetivo de evitar problemas com o processo de divórcio. Será?!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

KUNSTBAR




Animação em flash que permite uma divertida leitura para aqueles que gostam de arte. Trata-se de um bar cujo os freqüentadores são “figuras” que nos remetem às obras dos mais renomados artistas da historia da arte como Miro, Edvard Munch, Pollock etc. O menu do bar das artes é fantástico e oferece “drinks” para todos os gostos.





Criada por Petrie Lounge, essa animação teve até destaque na revista Superinteressante, por Leandro Sarmatz, na edição nº 175:


“(...) Está vendo aquele rapaz ali? É o cara angustiado de O Grito, do norueguês Edvard Munch. E aquelas moças estranhamente sexy? São as multifacetadas Demoiselles d’Avignon, do espanhol Pablo Picasso.


Esculturas de De Chirico, drinques com sugestivos nomes como Marc Chagall, Yves Tanguy e Jackson Pollock compõem o ambiente que brinca com a linguagem artística. Essa maluquice saudavelmente divertida e instrutiva pode ser desfrutada no Kunstbar (bar das artes), animação em flash de Petrie Lounge, grupo de artistas do mundo virtual.”

Vale a pena conferir: http://www.whitehouseanimationinc.com/kunstbar.htm


Bom final de semana!!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cursos de atualização

A FUNDEP está ofertando cursos de atualização em comunicação tendo como público alvo profissionais área, professores, recém-formados e afins.

Os interessados devem efetuar a matrícula até 08/10/2008. 4181Para maiores informações, acesse http://www.fundep.br/cursos/mostracurso.asp?curso=.

Vale a pena informar que além destes, existem vários cursos de atualização em diferentes áreas que a FUNDEP está oferecendo. Confira: http://www.fundep.br/cursos/.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A cultura Kitsch




O Kitsch possui um significado extremamente vago, podendo ser compreendido como um fenômeno social, já que está ligado ao comportamento de um indivíduo na sociedade em relação ao consumo e à própria relação que o homem tem com as coisas.
Antes da Revolução Industrial já havia um processo de ascensão social em certas camadas da população. Sabe-se que só há procura de um determinado tipo de objeto em função de um fenômeno de mobilidade social. A proliferação de objetos é que vai determinar essa categoria cultural chamada Kitsch.
Com a industrialização, a atividade produtiva do homem foi dinamizada possibilitando a serialização. Dessa forma, a obra de um artista famoso, acessível apenas à “nata” da população, tem o seu efeito copiado em inúmeras replicas no mercado. É nisso que o Kitsch se baseia: na idéia de “ter é ser”, mesmo que o individuo se cerque de objetos baratos, mas que sempre apelam para a idéia de encantamento e boa impressão para quem os consome.
O Kitsch veio para ficar. Desde que esse fenômeno começou, ele só floresce e não tem fim. Este fato é explicado pela atual sociedade cancerosa em relação ao consumo, determinada pelo fascínio que o homem tem com as coisas. Consumir, segundo Abraham A. Moles, é a alegria da massa. Devido ao processo de industrialização, certos objetos vão se tornando cada vez mais populares, existindo portanto, um numero exagerado de pessoas que podem adquirir o Kitsch, pois este tem sempre um valor pobre derivado de algo que o homem quis imitar, e é por isso que ele se multiplica.
O comportamento Kitsch está ligado à falsa erudição. É um fenômeno que imita matérias, o ouro sendo imitado por uma tinta dourada, por exemplo, repetindo assim as características de determinados objetos sem compreender o valor deles. Outro exemplo é a poesia: ela pode emocionar as pessoas por causa da significação das palavras, já o Kitsch só quer copiar o efeito, tornando-se a deturpação do artístico em favor do consumo. Porém, observa-se que ao tentar copiar aquilo que é refinado, o Kitsch acaba revalorizando o objeto raro.
Esse prazer que o Kitsch proporciona não é derivado do “feio” e nem do “belo”, está ligado à questão de ser distintizado. Ou seja, o que é “coisa” adquirie dignidade para ser consumido. Por exemplo: uma simples pedra é uma coisa, mas ao ser lapidado nos moldes da Estátua da Liberdade, tem-se origem a um objeto que gera no consumidor distinção social, mesmo que seja um mero “bibelô” em cima do móvel.
Um exemplo seria a promoção lançada pela revista “Caras” sobre a coleção de xícaras com motivo das sete maravilhas do mundo, o que não passa de um apelo “cultural” e estético.






Renata Marques

Muniz Sodré e a cultura do sentir


Vivemos a era da cultura do sensível, em oposição ao paradigma anterior, que era a cultura da representação, afirmou o jornalista, escritor e professor da UFRJ Muniz Sodré, ao participar em 3 de setembro de 2004 de um Evento Especial no Salão de Atos da PUCRS (Porto Alegre), durante o 27º Congresso da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). A seguir, algumas das principais idéias expostas por Muniz no encontro e numa mini-coletiva posterior:

Chico Buarque - Chico é uma das pessoas mais discretas e talentosas que esse país tem. E tem horror a ser imagem pública. Ele teve desavenças com a TV Globo, não queria aparecer, não gosta de ser alvo de atenções. Mas ele não é dono de sua imagem, a imagem de quem quer que seja é social. Por isso, quando passeia no Leblon e passa por uma fila, é natural que as moças o olhem, achando-o bonito, e os homens o refiram como talentoso.

Espetáculo - Dificilmente se encontra o conflito como tensão social no espetáculo, por isso o consideramos tão sedutor. Essa palavra vem do latim espectaculum, conceito que inclui cena e público juntos. Eles não eram pensados como coisas separadas, o que volta a ocorrer com força hoje. Não há como separar a TV do seu público, como alguns pensam ser possível. A grande lei social é a da imitação. As crianças sempre imitaram os mais velhos, e também sempre tiveram horror a serem imitadas pelas outras crianças. Hoje tendemos a imitar os modelos que vemos na televisão. A TV que assistimos é lixo cultural reciclado.

Esvaziamento político do espaço público - Durante séculos, a religião colocava a esperança de uma vida melhor para a humanidade apenas no Paraíso, após a morte. No século XIX, essa esperança passou a ser canalizada para a atuação política: era possível os homens se mobilizarem e construírem um mundo melhor aqui mesmo. Continuava no ar, porém, uma idéia de espera. Hoje, a mídia apresenta um discurso de levar o melhor para dentro da casa de todos, aqui e agora. Isso leva a um esvaziamento político do espaço público. Nos comícios, ninguém se interessa mais pelo discurso do político, e sim pelo artista que vai cantar.

Música - A música não significa nada. São sons. O que quer dizer (uma sinfonia de Ludwig van) Beethoven? Dessa ausência de referência a assuntos externos a ela vem a grande força da música.

O axé da voz do Papa - Forma e conteúdo estão se dissociando cada vez mais fortemente. Isso por si só não é negativo, mas é um dado a considerar. As letras das músicas do Djavan não fazem sentido. Outro exemplo: nos concertos de rock, o jovem se interessa em ir, ver o artista, paquerar as meninas... Todos cantam juntos, mesmo que a letra seja em inglês e ninguém entenda nada. É a questão do estar junto que prevalece. Mais um exemplo: quando o papa João Paulo II esteve no México (em 1979), os camponeses pediram que ele discursasse; ele não aceitou, porque não havia preparado nada em espanhol. Mas eles responderam que poderia ser em polonês mesmo - não havia um interesse NO QUE o papa iria dizer, e sim em estar OUVINDO a voz do papa. Nas culturas afro, essa é a base do conceito do axé, o contato. Os camponeses queriam o axé da voz do papa.

Venda da virgindade - As pesquisas mostram que a audiência dos programas de auditório não varia conforme o assunto tratado (conteúdo). Quem vê o programa da Luciana Gimenez (Superpop, na Rede TV!) se liga na apresentadora bonita (forma). Outro dia, vi um programa dela em que uma moça vendia a virgindade por 100 mil reais. Várias senhoras telefonaram reclamando, pasmem, que a moça estava se supervalorizando, diziam: "Quem ela acha que é?". Ninguém questionou o gesto em si, o que talvez acontecesse se o valor fosse uns 5 mil. Eu esperei um escândalo, e o único escandalizado fui eu, pela falta de escândalo do público.

Baixaria - Não acho que ficar fazendo campanha contra a baixaria na TV resolva alguma coisa. Deixa a baixaria ser baixaria! O que precisamos é investir em educação.

Escola do futuro - A educação daqui para frente precisa garantir quatro tipos de aprendizado para seus alunos: 1º, que eles aprendam a aprender (deixar a mente aberta); 2º, aprendam a fazer (técnica pode não ser o essencial, mas tem relevância); 3º, aprendam a estar junto (cada vez mais vivemos isolados); 4º, aprendam a aceitar (não basta dizer que respeita o diferente). Aquele que, sendo branco, se diz contra o racismo mas evita a todo o custo a convivência com pessoas negras não está realmente aceitando o diferente.

Racismo - No Brasil, temos essa uma coisa curiosa: temos grande parte da população negra, mas isso não aparece na representação. Basta lembrar o que se comentou quando Taís Araújo estrelou Da Cor do Pecado (TV Globo), quando se ressaltou que pela primeira vez uma atriz negra protagonizava uma telenovela (OBS: a verdadeira primeira vez foi em 1995, com Xica da Silva, na TV Manchete, também com Taís Araújo. O SBT reapresentou esta novela em 2005). Nos Estados Unidos isso é normal. Você vai fazer um filme, uma peça que apareça o presidente dos Estados Unidos, o papel pode muito bem ser feito por um negro. Por que não? Aqui, se uma peça tiver aparição do presidente, o papel irá para um branco, sob alegação de que "não tivemos nenhum presidente negro". Mas se o teatro é um espaço da imaginação, por que logo nisso você precisa ser naturalista? Quanto a não ter presidente negro, também não é verdade: Nilo Peçanha (presidente de 1909 a 1910) era negro. As fotografias eram retocadas para que isso não fosse percebido.


Por Fabio Gomes